Espaço Cultural CEDIM Heloneida Studart

VI Festival de Música, Dança e Cultura Afro-Brasileiras


A beleza desse ensaio de Antonio Garcia é aquela de suscitar, através de imagens, outra representação mental do quilombo, e da senzala, e da favela, em reação às descrições lexicográficas e etimológicas que temos normalmente, opondo a isso tudo uma série fotográfica absolutamente lírica e bela, de uma natureza controlada mas intensa, a mesma que vemos irradiar de uma nação inteira. E há muito pouco dito nas palavras dos dicionários, sobre a esperança e a alegria desse povo aqui retratado e sobre o quanto essa tríplice matriz primordial que é européia, indígena e africana (não necessariamente nessa ordem) é representativa de uma graça que nos foi dada, qual seja, a de dar alma a um povo que nascia.

Nossas crianças ainda não lêem assim as letras de nosso passado tão recente e de parte crucial do presente, mas será por quê? Contamos ou não a elas?! Há muitos rumores e tristezas ainda. O que sabe-se é que muitos de nossos hábitos definiram-se fundidos por completo. O que era negro, ou índio, ou português, destacadamente, tornava-se, enfim, muito e quase totalmente brasileiro. Deu-se assim o jogo de um povo inteiro, os brinquedos das crianças, os fumos, as infusões, os banhos e nossos primeiros grandes sonhos de liberdade e paz.

Nas fotos de Antonio Garcia acompanhamos o sucesso de uma gente que ainda percorre tempo e espaço em busca de soluções muito práticas vez e outra, mas sempre atenta à memória do povo único que somos – tudo por dentro da beira das fronteiras até o interior da caatinga. Veja só como somos brasileiros.

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